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Câmara de Porto Alegre homenageia 50 anos da Agapan


Foto: Gabinete ver. Lourdes Sprenger

O aniversário da Agapan motivou homenagem da Câmara Municipal de Porto Alegre na tarde desta segunda-feira (10/05). A cerimônia foi transmitida ao vivo pelo YouTube da TV Câmara. Nas falas dos vereadores, chamou a atenção a unanimidade, independente de partido, à relevância e ao protagonismo da entidade na preservação da vida.


A proponente da homenagem, vereadora Lourdes Sprenger (MDB), iniciou a atividade lembrando de importantes passagens da organização, como o recebimento em 2000 do Prêmio Muriqui, uma das mais importantes distinções às ações ambientais no país, indicando: “A Agapan completa 50 anos de história em prol do meio ambiente, contando com profissionais, especialistas, biólogos e muitos outros, que trouxeram tantas inovações com seu ativismo e conhecimento, algo que não poderia passar em vão. Quero deixar aqui o nosso reconhecimento pelo trabalho desenvolvido neste meio século de proteção à vida de todos nós e dos recursos naturais”.


“A Agapan é uma instituição muito importante para a história do meio ambiente do Brasil e que está estabelecida em Porto Alegre, no nosso Estado, o que muito nos honra. Neste momento, em que vemos o meio ambiente sendo atacado através do negacionismo, de políticas que trazem como consequência o aquecimento global, a morte de peixes, a poluição dos rios e lençóis freáticos e o uso indiscriminado de agrotóxicos, é muito importante que a gente homenageie a Agapan e todos aqueles e aquelas que lutaram, doando a sua vida em prol da humanidade”, disse o vereador Leonel Radde (PT), ressaltando ainda que as ações dos voluntários da entidade ao longo dos anos colaboram com a democracia.


“Os 50 anos da Agapan são um marco da maior relevância. Vivemos um momento muito difícil, seja para a saúde, seja para o meio ambiente. Temos um indivíduo – esfera federal – que queria aproveitar a crise da pandemia para passar a boiada. Esse cinquentenário ocorre em um momento particularmente difícil da sociedade brasileira, gaúcha e porto-alegrense. Uma entidade que honra Porto Alegre, o Rio Grande do Sul e o Brasil”, disse o vereador Pedro Ruas (PSOL).


Airto Ferronato (PSB) complementou: “Nas figuras do Caio Lustosa e José Lutzenberger, registro a nossa homenagem a todos que militaram fortemente nas causas do meio ambiente. A Agapan é uma instituição que tem o reconhecimento do povo gaúcho pelo que expressa e representa. É bom dizer que ainda hoje estamos assistindo o desprezo ao meio ambiente”.


A vereadora Monica Leal (PP) iniciou sua fala contando que o meio ambiente entrou em sua vida por meio do ex-vereador, advogado e associado da Agapan Beto Moesch. “Foi de uma forma muito especial, porque naquela época meu filho fazia estágio com o Beto e se apaixonou pela causa e se direcionou para o Direito Ambiental. Tenho um orgulho muito grande e sempre presto atenção a tudo que diz respeito ao assunto. No mínimo a Agapan conseguiu algo extremamente importante que na minha época de criança não era comum a gente ter. Hoje as crianças, como minha neta de dez anos, são extremamente cuidadosas com tudo que diz respeito ao meio ambiente. Penso que vale sim essa luta, essa causa, que vocês abraçaram de forma tão dedicada e que hoje os pequenos têm esse cuidado, cobrando de seus pais e avós, dando verdadeiras aulas para nós”.


O presidente da Agapan, Francisco Milanez, subiu à tribuna para agradecer a homenagem, iniciando seu discurso remetendo à Capital do Estado em 1971. “Era uma Porto Alegre triste, sem flores na primavera, porque as árvores eram decepadas no Inverno. Um ano depois da criação da Agapan, a cidade fedia à ampola de ácido sulfídrico oriundo da Borregaard Celulose, em Guaíba, que lutamos por dez anos para fechá-la, até que tratasse os efluentes. Hoje a CMPC se orgulha de ser modelo de tratamento, mas só o fez forçada”.


Milanez enumerou diversas conquistas da organização, como o fim das podas indiscriminadas em Porto Alegre; a primeira coleta seletiva do Brasil, em 1974; a criação da primeira Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Brasil, em 1975; a primeira lei anti-podas e o fechamento das minerações de pedras, além das lutas pelos parques de Itapuã, Lami e Delta do Jacuí. “Que cidade seria essa hoje, triste, se não tivéssemos um dos maiores parques deltaicos, na beira de uma capital do mundo”, ressaltou.


No plano estadual, o ambientalista destacou a proibição da construção de usinas nucleares no RS, o que só pode ser feito via consulta pública, graças a uma prerrogativa constante na Constituição; a influência na criação da primeira Lei de Recursos Hídricos do Brasil, pelo sistema de tratamento do Pólo Petroquímico, a redação da Lei Estadual nº 7.747/1982, que dispõe sobre o controle de agrotóxicos e outros biocidas, anterior à legislação brasileira e exemplo para outras federações, elaborada com o fundamental apoio da Agapan.


“Eu diria que 100% da população jovem é ligada ao meio ambiente, Mas falta a vivência, o contato com a natureza, que é transformador para seu próprio desenvolvimento. Falta seguir o lema da Agapan, que é a vida sempre em primeiro lugar. A teia da vida é interdependente, Se um adoece, todos adoecem, se um vive bem, todos vivem bem. Desde 1971 temos essa clareza e lutamos por isso”, salientou Milanez.


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Assessoria de Comunicação Agapan

Anahi Fros | Jornalista