23 fevereiro 2021

Agapan lamenta morte de Ludwig Buckup, cientista e ambientalista

Ludwig Buckup - Foto: Gustavo Diehl/Ufrgs

A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) lamenta com pesar a morte de seu associado, o cientista, professor e ambientalista Ludwig Buckup, aos 88 anos, vítima da Covid-19, na madrugada desta terça-feira (23/02).
Ludwig Buckup foi um dos idealizadores do então Museu Rio-grandense de Ciências Naturais, a partir de 1955, ao lado do padre jesuíta Balduíno Rambo e do professor Thales de Lema.
Por muitos anos, Buckup foi conselheiro da Agapan, integrando o Conselho Superior. Entre as tantas lutas em defesa da vida, Buckup foi ativo nos temas da celulose, silvicultura, transgênicos, extinção das fundações. "Seu conhecimento técnico e seu engajamento foram fundamentais para nossas lutas", declarou a militante e presidente da Agapan por cinco gestões, Edi Fonseca.
O presidente da Agapan, Francisco Milanez, foi aluno do professor Buckup na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. "Ele contribuiu imensamente para minha formação como biólogo, além de participar por diversar ocasiões em eventos na defesa do meio ambiente. Uma perda lamentável para a ciência ecológica", destaca Milanez, ao expressar a profunda solidariedade da Agapan aos familiares.


MUSEU NATURAL

Nascido em São Paulo, Buckup vivia em Porto Alegre desde 1951, quando chegou para cursar História Natural na Ufrgs.
Dedicou mais de meio século às pesquisas no Museu e às aulas na Ufrgs, onde foi docente e pesquisador de 1959 a 1990. Exerceu o cargo de pró-reitor de Extensão nos primeiros anos da década de 1990.
Como especialista em crustáceos, orientou alunos de pós-graduação no RS e no PR. Foi consultor de fundações e conselhos de pesquisa nacionais, como o CNPq e Capes.
Além de participar como conselheiro da Agapan, o professor Buckup foi presidente da ONG Igré.

18 fevereiro 2021

Apoie as Feiras Ecológicas da Redenção

 Assine e leve adiante esse avanço para a cidade de Porto Alegre!

Frequentadores das Feiras Ecológicas da Redenção lançaram petição pública, endereçada ao Executivo municipal, na qual pedem que o trecho da Avenida José Bonifácio junto ao Parque Farroupilha seja mantido ampliado em definitivo aos sábados enquanto os agricultores estiverem atendendo, mesmo após o término da vigência dos decretos municipais relativos à pandemia de Covid-19. Parte da via vem sendo fechada ao trânsito de automóveis desde abril de 2020, por meio de solicitações das unidades de uso do espaço junto à EPTC, e decorrente pagamento de taxas. O abaixo-assinado foi lançado nos formatos físico – disponível para subscrição nas feiras a partir do próximo sábado, 20 de fevereiro – e digital. O maior distanciamento entre as bancas e o caminho livre para o fluxo de consumidores trouxeram conforto, segurança e novas potencialidades à Feira dos Agricultores Ecologistas (FAE) e à Feiras Ecológica do Bom Fim (FEBF), que acolhem milhares de clientes a cada sábado e são reconhecidas pela Lei Estadual nº 15.296 como de relevante interesse cultural do Estado do Rio Grande do Sul.

Para assinar, clique aqui. Após assinar, compartilhe em suas redes e solicite apoio.
Com informações Ascom FAE e FEBF

09 fevereiro 2021

“Sorteada” para vaga no Conama, Agapan publica “Carta aos Brasileiros”

Entidade rejeita vaga e critica forma de escolha dos membros do Conselho Nacional de Meio Ambiente

Nota explicativa: Em resposta ao novo procedimento adotado pelo governo brasileiro para definir as entidades ambientalistas que ocuparão quatro vagas no Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), conforme publicado no Diário Oficial da União do dia 03 de fevereiro de 2021, ocasião na qual a Agapan recebeu, surpresa, a informação de que foi “sorteada” via Loteria Federal para compor referido Conselho por um ano, a entidade ambientalista se dirige à população brasileira através desta carta. Ressaltamos que a alteração por decreto das regras de composição do Conama não conferem legitimidade ao mesmo, ao contrário, interferem negativamente no processo democrático de representação existente até o momento e visam enfraquecer ainda mais a força de representatividade do setor ambientalista, o qual realmente tem interesse total de proteger o patrimônio ambiental brasileiro, também no âmbito do Conama, para toda a população. Confira, abaixo, a carta enviada nesta terça-feira (9), por e-mail, ao Ministério do Meio Ambiente.



Carta aos Brasileiros

Nos dirigimos ao povo brasileiro, em resposta à “oportunidade” de participarmos no Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), para declarar que a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), pioneira na luta ambiental brasileira, que em 27 de abril de 2021 completará 50 anos de luta e atuação 100% voluntária, declara que não viveu, nesse meio século de ativismo ininterrupto, nenhum momento tão negativo para o meio ambiente e para a população de nosso país quanto o atual.

Muito nos orgulharia voltar a representar e defender os interesses de nossa população no Conama, o que já fizemos em tantas outras oportunidades. Sempre representamos as entidades ambientalistas de forma legítima, escolhidos por nossos pares, como parte indissociável dessa representação participativa e democrática. Lutamos no Conama pela criação de critérios para entidades serem consideradas verdadeiramente ambientalistas, pela ampliação de nossa representação e tantas outras conquistas sociais. Não desejamos nada senão a plena qualidade da vida do planeta. Vida, esse lindo tecido de bondades que une todos os seres em um só processo complementar, interdependente e insubstituível que constitui o que chamamos de Gaia, o Planeta Vivo. Não temos preferências nem protegidos. Não buscamos dinheiro nem outra forma de poder. Nosso combustível é o bem viver de todos, não apenas dos humanos, porque temos claro que precisamos uns dos outros para nossa realização. A vida no planeta é possível através da interdependência colaborativa de todos.

Nunca aceitaríamos a benesse de um governo ou da “sorte” para assumirmos a representação de nossos pares. Quem acha que isso é possível, desconhece e desqualifica a democracia e a participação popular.
Diante da incômoda situação e do curto prazo imposto para a definição de aceitação da vaga, procurarmos a melhor forma de tratar e conduzir a questão, no intuito de contribuir com a reconstrução de uma sociedade digna e justa para todos.

Não aceitamos um antiministro, que declarou em reunião ministerial que quer “deixar a boiada passar”, isto é, liberar qualquer projeto sem nenhum critério ambiental tecnicamente sério. Não porque ele não tenha o direito de se recuperar e mudar, mas porque tem continuado a agir de forma criminosa, que o mundo ainda irá julgar, defendendo os interesses mais escusos e especulativos que já ousaram se manifestar abertamente neste país.

Não condenamos esse que ocupa o cargo de ministro, acusamos o seu superior, que, tendo-lhe investido ao cargo, demonstra constantemente concordância e satisfação com os malfeitos de seu subordinado. Esse que ocupa o cargo de Presidente do país não é um verdadeiro presidente. Embora tenha sido eleito, não tem postura digna de estadista.

Temos um presidente que envergonha a nossa nação diante do mundo, e, ao negar-se combater de forma imediata as recentes queimadas na Amazônia e no Pantanal, por exemplo, ao perseguir e não dar amparo legal às comunidades indígenas e ribeirinhas afetadas por estes impactos, bem como promover a perseguição e a extinção de cargos públicos na área de proteção ambiental com freqüentes ameaças de extinção de órgãos ambientais, como o IBAMA e ICBIO, demonstra seu caráter destrutivo e, com isso, justifica decretar o enfraquecimento que busca na representatividade de entidades ambientalistas no Conama.

A legislação brasileira na área ambiental é uma referência mundial e condizente com a rica biodiversidade do nosso país, fruto de décadas de construção coletiva da sociedade civil organizada. Neste governo, houve um desmanche na legislação ambiental para “deixar passar a boiada” do ministro Salles, para beneficiar o setor especulativo da área agrária, mineradora, industrial e imobiliária.

Acreditamos nas instituições públicas e privadas brasileiras com as quais nunca deixamos de dialogar nesses 50 anos de atuação. Consideramos que em um regime democrático, do qual somos incansáveis defensores, é o mais adequado para o Brasil, sobretudo ao povo brasileiro que, quando bem informado, de forma equilibrada e decente, sabe como ninguém escolher o seu próprio destino e tem sempre no coração muita solidariedade.

Por essas e outras tantas razões, com coração e mente focados na proteção ambiental para o bem viver de todos, declaramos aos brasileiros e brasileiras que não aceitamos a vaga atribuída por sorteio. Da mesma forma, ressaltamos que é nossa determinação continuar firmes na luta ambiental, mas sempre tendo o povo brasileiro como real determinador e legitimador de nossas ações.

Assim, através desta carta, nos dirigimos, mais uma vez, aos brasileiros.

Agapan - A Vida Sempre em Primeiro Lugar!

Porto Alegre, 09 de fevereiro de 2021

08 dezembro 2020

Mais Vida, menos veneno | Entidades enviam carta ao governador do RS

Reprodução: Brasil de Fato RS
Ao lado de mais de 130 entidades, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) subscreve carta enviada ao governador do Estado do RS, Eduardo Leite, nesta segunda-feira (7). O documento, reproduzido na íntegra abaixo, pede a retirada do regime de urgência do Projeto de Lei (PL) 260/2020, que altera a Lei Estadual nº 7.747/82 e permite o cadastro, no RS, "de agrotóxicos obsoletos sem autorização de uso no país de origem". As entidades representativas também demandam que seja aberto o debate, de forma ampla, com toda a população gaúcha, para que essa possa tomar consciência sobre a proposta e se posicionar a respeito do tema. 

"Estão lidando com a nossa população com uma irresponsabilidade genocida", afirma o presidente da Agapan, Francisco Milanez, diante do projeto que visa liberar mais venenos para o meio ambiente e para a mesa dos gaúchos. Ele lembra que a entidade, em conjunto com a sociedade gaúcha, lutou e conseguiu, há quase 40 anos, barrar a liberação desenfreada de agrotóxicos no RS. "Liberar agora é de uma irresponsabilidade criminal", ressalta Milanez. Para ele, o governo não deve sucumbir às pressões e interesses que possam estar por traz do projeto. "Estamos falando da saúde da população e de doenças que estão se tornando verdadeiras epidemias, a exemplo de cânceres e autismo", alerta. 

Confira a íntegra da carta:


Carta Aberta ao Governo do Estado do RS 

Mais Vida, menos veneno


Porto Alegre, 07 de dezembro de 2020


Excelentíssimo Senhor Governador Eduardo Leite,

O conjunto de entidades que subscrevem este requerimento, representantes de conselhos estaduais, frente parlamentar, fóruns, associações, entidades de classe, agricultores/as familiares, universidades, pesquisadores/as, especialistas, ambientalistas e movimentos sociais vêm expressar relevante preocupação em relação ao PL nº. 260/2020, que propõe a alteração da Lei Estadual nº 7.747/82, permitindo o cadastro, no RS, de agrotóxicos obsoletos sem autorização de uso no país de origem, e que tramita em regime de urgência na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.

Por entendermos que a Lei Estadual nº 7.747/82, fruto de amplos e profundos estudos, pesquisas e debates com diversos setores sociais após grande desastre ambiental em decorrência de resíduos de agrotóxicos no rio Guaíba, é referência nacional, colocando o Rio Grande do Sul como pioneiro no controle, cadastro e procedimentos em relação aos agrotóxicos, a eventual aprovação do PL n. 260/2020 seria um enorme retrocesso ao estado, que já sofre com as consequências do uso excessivo de agrotóxicos, impactando diretamente na saúde, no meio ambiente e na qualidade e produção dos alimentos.

Cabe ressaltar que a proteção dos Direitos Humanos possui estreita relação com a dignidade humana e com o meio ambiente, dado que a degradação deste afeta diretamente a qualidade da vida humana. Da mesma forma, a Declaração Universal dos Direitos Humanos prevê o Direito Humano à Alimentação Adequada. Em visita oficial ao Brasil no ano de 2019, o Relator Especial para Resíduos Tóxicos da Organização das Nações Unidas (ONU) destacou a necessidade de leis restritivas e o combate contra medidas de precarização normativa.

Ao ampliar as hipóteses de liberação de agrotóxicos, o Governo do Rio Grande do Sul atua em desacordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2, 3, 11 e 12, propostos pelas Organizações das Nações Unidas, do qual o Brasil é signatário, prejudicando a sustentabilidade e a resiliência dos sistemas alimentares em um cenário de pandemia, aumento da fome e intensificação de eventos climáticos extremos, falhando na adoção de medidas adequadas e suficientes para garantir a não-repetição de danos relacionados a resíduos tóxicos.

Outra preocupação é que o PL n. 260/2020 viola direta e materialmente a razão de ser do art. 253 da Constituição Estadual do Rio Grande do Sul, que veda a “produção, o transporte, a comercialização e o uso de medicamentos, biocidas, agrotóxicos ou produtos químicos e biológicos cujo emprego tenha sido comprovado como nocivo em qualquer parte do território nacional por razões toxicológicas, farmacológicas ou de degradação ambiental”. Da mesma forma, ao tramitar em regime de urgência, viola o Art.19 da Constituição Estadual do Rio Grande do Sul, que estabelece que o Estado deva observar o princípio da participação popular.

De acordo com a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Lei n. 11.346 de 2006), a segurança alimentar e nutricional sustentável abrange a conservação da biodiversidade e a utilização sustentável de recursos, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e ambiental.

Causa também surpresa essa proposta ser apresentada concomitantemente ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 221 que julgará se a Lei Estadual n. 7.747/82 foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988. 

Ainda, consideramos que não há justificativa para a tramitação em regime de urgência revogando uma lei vigente há cerca de quarenta anos no Estado do Rio Grande do Sul. Essa urgência suprime o necessário debate com a sociedade, que arcará com o ônus da alteração em flagrante deterioração da equidade intergeracional.

Portanto, respeitosamente, pugnamos pela imediata retirada do regime de urgência do PL N°. 260/2020, assim como, seja apresentado requerimento de retirada do projeto na sua íntegra pelo Governo Estadual, o qual altera a Lei Estadual nº 7.747 de 22 de dezembro de 1982, que dispõe sobre o controle de agrotóxicos e outros biocidas em nível estadual e dá outras providências.

Da mesma forma, demandamos que seja promovido amplo debate com a população gaúcha, garantindo a análise, em especial, do Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA), do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Rio Grande do Sul (CONSEA-RS), do Conselho Estadual de Saúde (CES-RS), do corpo técnico da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), da Secretaria Estadual da Saúde (SES) e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM), bem como das universidades e das entidades de defesa do meio ambiente e da saúde.


Assinam:

23 outubro 2020

Mina Guaíba | Luta contra mineradora Copelmi vence mais uma etapa

TRF4 negou recurso da empresa, que não concordava com a participação do povo Guarani no processo

Desde 2019, trabalhadores do campo e da cidade da região Metropolitana de Porto Alegre, ambientalistas e povos indígenas vêm unindo forças contra a implementação do projeto Mina Guaiba, da mineradora Copelmi. No início deste ano, em fevereiro, o resultado das lutas já apareceu. Uma decisão da Justiça Federal suspendeu o processo de licenciamento na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), até que os estudos ambientais feitos pela Copelmi levem em consideração a presença das comunidades indígenas no entorno do empreendimento.
Ontem, 22, o Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF4) negou o recurso da mineradora, que solicitava a exclusão da comunidade Guarani do polo ativo do processo. O pedido da mineradora, segundo o advogado Emiliano Maldonado, da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap), revela a postura da mineradora e afronta o artigo 232 da Constituição Federal (1988), que indica que "índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo".
A mineradora buscava reverter a decisão da Justiça que havia aceitado o pedido de habilitação do Conselho de Articulação do Povo Guarani (CAPG) e da comunidade da Tekoá Guajayvi e determinava a sua inclusão na Ação Civil Pública.
Em fevereiro, em decisão liminar a Justiça Federal decidiu que o processo de licenciamento ambiental deveria ser suspenso até que seja elaborado o componente indígena do processo de licenciamento por parte da Funai. Depois disso, ainda a demanda prevê que seja realizada a Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) das comunidades Guaranis atingidas pelo empreendimento, no processo de licenciamento ambiental da Mina Guaíba que tramita na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). 
Trata-se de uma importante decisão, resulstado da luta do Povo Guarani, do Comitê de Combate à Megamineração no Rio Grande do Sul (CCM RS), do qual a Agapan faz parte e é uma das fundadoras, e da Renap.

Acompanhe a questão através do site do CCM RS, www.rsemrisco.org.br, e das redes sociais do Comitê no Facebook e no Instagram.

Texto: Assessoria Comitê de Combate à Megamineração - Edição: Ascom Agapan

28 setembro 2020

Sinal de fumaça

Região do Pantanal | Foto: Mayke Toscano/Secom-MT - Fotos Públicas
Região do Pantanal | Foto: Mayke Toscano/Secom-MT - Fotos Públicas


Por Heverton Lacerda* | Artigo de opinião

A mensagem está clara, e só não decifra quem não quer ou quem está com os sensores debilitados. O BERÇO ESPLÊNDIDO ESTÁ QUEIMANDO! O fogo está destruindo milhares de hectares de florestas e exterminando incontáveis populações de seres viventes na Amazônia e no Pantanal. Além do sinal de morte no céu, que neste caso não é o limite, a imprensa profissional e diversas plataformas de internet ajudam a ampliar a lamentável notícia: O Brasil está incinerando suas florestas, matando a fauna local e abrindo porteiras para a ampliação de um modelo rural ecocida, o agronegócio ilegal, também conhecido, em sua versão legalizada, como AgroPop, aquele que envenena terras e recursos hídricos, mata, exporta commodities "envenenadas" e ainda não paga impostos estaduais pelos produtos exportados.
 
A fumaça desses crimes já ultrapassa divisas, limites e fronteiras. Ou seja, diversas prefeituras, estados e até outros países já sofrem alguma forma de impacto, direto ou indireto. Assim, passam a estar legitimados a defenderem suas comunidades. 
Ou os representantes eleitos tomam alguma atitude urgente, ou se entregam ao discurso equivocado, simplista e completamente mal intencionado do atual presidente do Brasil, de que "o país é exemplo de preservação ambiental". Essa, por sinal, é mais uma das cortinas de fumaça criadas pelo mandatário inconsequente para esconder uma realidade que, neste caso, nem ele próprio tem condições de compreender, em relação à universalidade ecológica interdependente. 

O fato de o gigantesco Brasil ainda ter grandes áreas preservadas, com grande valor internacional, não é razão para autorizar, e muito menos incentivar, a destruição criminosa. Ao invés de permitir o roubo de terras públicas, deveria, se capaz fosse, trabalhar para que os recursos naturais da população rendessem riquezas para a própria população, e não apenas para os amigos da corte. Mas, ao contrário, Bolsonaro (sem partido) mostra suas más intenções ao manter no cargo um ministro que deixa clara a maldade também intencional de se aproveitar da fragilidade nacional com o Covid-19 e suas milhares de mortes, em pleno cenário de intensificação das mudanças climáticas, para "deixar a boiada passar". E quem não sabe que a passagem da tropa vem com a destruição da floresta para posterior tentativa de regularização para o agronegócio? E quem não sabe que depois de tantos crimes ambientais vêm o trabalho parlamentar de aliados para alterar leis e perdoar crimes? Quem ainda estaria tão mal informado para não saber disso? 

É possível manter o patrimônio natural preservado e em poder da cidadania brasileira. Não é preciso entregar ativos públicos valiosíssimos para pequenos grupos privados, muitas vezes fora da lei, que se apoderam dos lucros que deveriam ser de todos os brasileiros. Esta, inclusive, tem sido uma prática de diversos governos há séculos por aqui. Não é à toa que o Brasil ostenta uma das piores marcas em desigualdade social entre os países no mundo inteiro. A sina de colônia insiste em não nos deixar, e com governos entreguistas, incapazes e subservientes, como o atual, o retrocesso volta a surgir no horizonte, também, em forma de linhas de fogo. Tem muita fumaça e tem incêndio criminoso ceifando vidas. O sinal não é claro, como a fumaça fuliginosa não é, mas é evidente, contundente e irrefutável.

Heverton Lacerda é jornalista e vice-presidente da Agapan

22 setembro 2020

Pelo fim das queimadas, Agapan envia carta a Bolsonaro

Área próxima à Reserva Particular de Patrimônio Natural Morro do Azeite, em MS - Foto por: CBMMT

Frente à grave situação imposta pelo aumento contínuo dos incêndios na Amazônia e no Pantanal, sem contar os ataques reiterados e cada vez mais frequentes aos territórios indígenas e demais povos tradicionais brasileiros, no dia 20 de setembro a Agapan endereçou carta aberta ao Presidente da República solicitando "providências eficazes e imediatas de combate ao fogo" nas referidas regiões. A carta também cobra o cumprimento do Artigo 225 da Constituição Federal, e informa haver, de parte da Agapan, "estranheza que não haja uma ação mais efetiva" do Exército Brasileiro na proteção do território nacional. 

Confira a carta abaixo:

15 setembro 2020

Abelhas para a sobrevivência

Nesta terça-feira (15), às 20 horas, vamos conversar no Sobrevivência com o Paulo Conrad, que é especialista em apicultura.
Muitos já sabem que as abelhas estão sendo exterminadas no mundo todo, e que isso pode afetar severamente a vida como a conhecemos na Terra. Mas muitos não sabem, e é possível que alguns ainda duvidem. Sim, este tema é muito importante, assim como a sua ajuda para compartilhar e convidar seus amigos para participarem conosco. Te aguardamos por aqui. Compartilhe! Compartilhe! Compartilhe!

Lembre-se de inscrever-se em nosso canal e apertar o sininho para receber novas notificações.
O Sobrevivência também terá transmissões simultânea nas páginas da Rede Soberania, Brasil de Fato RS e na Rádio Ipanema Comunitária, FM 87,9 (bairro Ipanema de Porto Alegre). 

Apresentação, entrevista e comentários:
Jornalista Heverton Lacerda e Francisco Milanez, presidente da Agapan.
Produção deste episódio:
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues
Também compõem a equipe de produção:
Edi Fonseca - conselheira da Agapan
Eleara Manfredi - conselheira da Agapan

07 setembro 2020

Saberes para a sobrevivência Kaingang

Saberes para a sobrevivência da cultura Kaingang serão pauta nesta terça-feira, dia 8 de setembro. Nossa convidada especial é Iracema Gatéh Nascimento, liderança mulher #kaingang , Kujã, ou seja, mestra indígena Kaingang.
Iracema trabalha com a medicina tradicional indígena Kaingang. É parteira, mestra de saberes e participa do movimento das mulheres indígenas. Moradora da periferia de Porto Alegre, no Morro Santana, Iracema luta também pelo território indígena.
Com essa mestra da cultura Kaingang, vamos conversar sobre seu dia a dia, suas lutas, conquistas e resistências, onde ela vai ressaltar o indígena no contexto urbano e sobre o que é ser Kaingang, essa etnia reconhecidamente guerreira.
Participe conosco! Será ao vivo às 20 horas aqui no vídeo abaixo, no canal da Agapan no YouTube e na página da entidade no Facebook. O Sobrevivência também terá transmissões simultânea nas páginas da Rede Soberania, Brasil de Fato RS e na Rádio Ipanema Comunitária, FM 87,9 (bairro Ipanema de Porto Alegre). 

Lembre-se de inscrever-se em nosso canal e apertar o sininho para receber novas notificações.
Te aguardamos por aqui. Até breve! 

Apresentação, entrevista e comentários:
Jornalista Heverton Lacerda e Francisco Milanez, presidente da Agapan.
Produção deste episódio:
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues
Também compõem a equipe de produção:
Edi Fonseca - conselheira da Agapan
Eleara Manfredi - conselheira da Agapan

01 setembro 2020

Agapan lança selo dos 50 anos

Em comemoração aos seus 50 anos, a serem completados no dia 27 de abril de 2021, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) lançou, no dia 1º de setembro, durante o programa Sobrevivência, o selo que estampará as peças de comunicação, redes sociais e produtos lançados pela entidade durante este período comemorativo.

Fundada em 1971, a Agapan está em contagem regressiva para comemorar o cinquentenário da primeira entidade ambientalista do Brasil a alcançar essa marca. Um dos grandes diferenciais da Agapan, além de seu pioneirismo e história de participações nas questões ambientais brasileiras, é o trabalho sempre realizado por associados de forma cem por cento voluntária.

A atual Diretoria da Agapan agradece a todos os seus associados, amigos e colaboradores que estão envolvidos nos preparativos para a comemoração.

O selo dos 50 anos foi desenvolvido com apoio da agência Veraz Comunicação.