04 novembro 2019

Código Ambiental do RS: Um debate sobre a verdadeira urgência


A polêmica em torno das motivações do governo gaúcho para atropelar os processos democráticos de amplo debate em torno de propostas de alterações no Código Ambiental do RS e decretar regime de urgência na tramitação do Projeto de Lei (PL) nº 431/2019 na Assembleia Legislativa é a questão central do Agapan Debate que será realizado na próxima segunda-feira (11/11) em Porto Alegre (RS).

Para debater o tema, estarão presentes o advogado, professor e ex-secretário de Meio Ambiente de Porto Alegre, Beto Moesh, conselheiro da Agapan, e o biólogo Luis Fernando Perello, analista ambiental da Fepam. A mediação do debate, que será realizado a partir das 19h no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, estará a cargo do presidente da Agapan, Francisco Milanez.

Palestras

Duas versões antagônicas do Código Estadual de Meio Ambiente
Beto Moesch é advogado formado pela Ufrgs, consultor e professor de Direito Ambiental, presidente da Fundação Ecossis, conselheiro da Agapan, coordenou a elaboração das leis ambientais do RS, com destaque para o Código Estadual do Meio Ambiente, foi responsável técnico da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do RS, coordenou a Comissão de Meio Ambiente da OAB/RS, foi vereador de Porto Alegre por três mandatos consecutivos aonde presidiu a Comissão de Saúde e Meio Ambiente, ex-secretário do meio ambiente de Porto Alegre (Smam), foi dirigente da Associação Nacional dos Órgãos Municipais de Meio Ambiente - Anamma e membro do Conama.


Os desafios da gestão ambiental num cenário de retrocessos
Luis Fernando Perello biólogo, mestre em Biologia e doutor em Ciências pela Universidade Federal de São Carlos (São Paulo). Entre suas linhas de pesquisa, estão o planejamento da conservação voltado para áreas protegidas (zoneamento e o uso público). Durante dois anos, trabalhou como biólogo no Parque Nacional da Lagoa do Peixe. Mantém estreita relação com a pesquisa aplicada onde tem especial interesse por espécies exóticas invasoras e ecologia de áreas úmidas. É revisor de periódicos. É analista ambiental da Fepam. Entre 2012 e 2014 chefiou a Assessoria Técnica da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura; ocupou a direção geral e foi nomeado secretário de Estado adjunto, ocasião em que criou a Reserva Estadual Banhado do Maçarico, com 6 mil hectares. Atuou na docência superior (PUCRS e Uniritter) nos últimos 11 anos. Integra os grupos de assessoramento técnico dos planos de ação nacional do ICMBio/Cemave para conservação de aves límicolas e das aves dos campos sulinos.

Entrada gratuita mediante disponibilidade de espaço.

Serviço:
Agapan Debate (último de 2019)
Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs -  R. Sarmento Leite, 320 
Dia: 11 de novembro de 2019
Horário: 19 horas
Duração: 150 minutos
Realização: Agapan 
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27 setembro 2019

NOTA PÚBLICA AGAPAN




NOTA PÚBLICA AGAPAN

A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) vem a público informar que só teve acesso ao Projeto de Lei (PL) 431/2019, que altera o Código Estadual de Meio Ambiente do RS, na tarde desta sexta-feira, dia 27 de setembro de 2019, e que, portanto, está analisando o conteúdo do referido PL. 
Contestamos e consideramos precipitada qualquer inferência, principalmente equivocada e descontextualizada - o que pode gerar influência ou confundir a população - ao fato de sempre, em todos os momentos, termos participado dos estudos, propostas e criações das principais leis ambientais do país, com destaque à legislação gaúcha, que sofre nova investida de alterações para as quais ainda não temos opinião finalizada.

De pronto, contestamos o caráter de urgência empregado à tramitação da matéria na Assembleia Legislativa, o que pode prejudicar a participação social na análise desta importante e vital legislação.

Porto Alegre, 27 de setembro de 2019.
Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural - AGAPAN


26 setembro 2019

Mortandade de abelhas: o cenário é apocalíptico

“Temos que nos unir. A guerra é dura, mas não podemos perder a esperança”. Com esse sentimento, o Agapan Debate sobre a mortandade das abelhas encerrou na última segunda-feira (16/09), defendendo o acesso à informação e o engajamento, especialmente dos jovens. “De tudo que é mais importante, e que foi apresentado aqui, estão os jovens, que devem valorizar e defender a vida e a preservação das abelhas, possível com a Agroecologia, a verdadeira biotecnologia”, afirmou o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Francisco Milanez. O Agapan Debate aconteceu no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, com a presença de mais de 80 pessoas. Mediado pela conselheira da Agapan e farmacêutica Ana Maria DaitVallsAtz, participaram do debate os engenheiros agrônomos Nadilson Roberto Ferreira (foto acima) e Sebastião Pinheiro.

Com o tema “Abelhas e polinização: do ser ao não ser”, Ferreira, doutor em Polinização pela Ufrgs e ex-coordenador da Câmara Setorial das Abelhas, Produtos e Serviços da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), onde é servidor, observa que 90% das polinizações no mundo ocorrem pelas abelhas e os 10% restantes, pelo vento, pela água e através de outros animais. “Nas culturas agrícolas, as abelhas respondem por 70% da polinização, garantindo a segurança alimentar das populações e renda para os produtores”. Ele destaca o valor movimentado pelo mel no mercado mundial. Em 2007, foi comercializado U$ 1,5 bi, sendo que o serviço ecológico da polinização no mundo foi estimado, naquele ano, em U$ 212 bi. Deste valor, U$ 148 bi estão relacionados à polinização pelas abelhas. “Infelizmente, o agronegócio não dá a devida importância a essa cadeia”, lamenta Ferreira, ao destacar que em 2018 no Brasil somente a polinização garantiu a circulação de U$ 11,35 bi. As abelhas são responsáveis por 66% dessas polinizações.

No RS é difícil estratificar essa produção. Enquanto há apenas uma espécie exótica, a Apis, 324 espécies de abelhas nativas estão catalogadas, sendo 24 destas, sociais e as outras 300, solitárias. “Muito pouco ou quase nada se sabe dessas abelhas e o cenário é apocalíptico”, exclama Ferreira, ao citar, entre as causas da mortandade, a ocorrência de doenças e pragas, como o ácaro (varroa destructor), a destruição do favo pela falta de manejo, as mudanças climáticas, a destruição de ambientes naturais provocada por desmatamento e queimadas, os monocultivos e o uso indiscriminado de agrotóxicos.

Sobre esse uso indiscriminado de agrotóxicos, muitos inclusive proibidos em outros países, o Governo Federal liberou, somente em 2019 (até o dia 17/09), 325 agrotóxicos. Desses agrotóxicos, classificados como altamente tóxicos, Ferreira cita os neonicotinóides, presentes em 75% dos méis do mundo. Destes, o que registra maior ocorrência é o inseticida Imidacloprid (Bayer), confirmada em 57% dos méis da América do Sul.

“As abelhas nativas são as mais sensíveis a esses venenos e reagem com excitação, tremores, convulsões e morte”, ilustra o pesquisador, que cita o Fipronil (Fenilpirozol), inseticida repelente que atinge o sistema nervoso das espécies e provoca convulsão e morte de abelhas e é encontrado em remédios contra carrapatos e pulgas de cães e para controlar insetos foliares e do solo, entre outros produtos que o contém.

Ferreira ressalta que “a natureza oferece remédios naturais para o que a pesquisa busca. Não é preciso criar nada que pretenda imitar uma espécie que já vive há mais de 70 milhões de anos em nosso Planeta, como é o caso das abelhas”. Ele questiona a falta de respeito e de valor à vida e suas espécies.


INTERESSES

Considerado infestante, especialmente nas lavouras de arroz, onde ocorre em frequência, beneficiado pela umidade do solo, o quitoco foi ovacionado por Sebastião Pinheiro por ser uma planta que gera um mel muito apreciado e com alto valor de mercado. Em sua palestra com o tema “Cuidem-se: nitrosoanima não é nitrosamina. O fogo volta a arder”, o engenheiro agrônomo, professor, escritor e pesquisador chama a atenção para ameaças que rondam a sociedade, a partir da liberação de diversos agrotóxicos.

Ao apresentar a Montanha Kailash, local de origem de várias religiões, como Budismo e Hinduísmo, Pinheiro falou sobre a relação entre inseto, pedra, universo, energia e vida. Para os povos antigos, “as abelhas são as lágrimas do Sol, o deus Rá”, comparou.

Sobre a mortandade de abelhas que ocorre em vários países, incluindo o Brasil e especialmente no RS, Pinheiro apresentou estudos que comprovam o interesse “maquiavélico”/mercadológico de multinacionais em potencializar esses efeitos e dizimar essas espécies, beneficiando a indústria química de alimentos com a produção, por exemplo, da nitrosamina, um veneno tóxico encontrado no leite materno, e do Fiproril, 27 mil vezes mais tóxico que o anterior. Pinheiro também citou a nicotina, um veneno extremamente perigoso, por sua rápida ação, considerada igualmente uma arma binária étnica e racial, pois atua de forma diferente sobre as raças. “Que interesse está por trás disso?”, questiona.

Ironizando a “casualidade” do RS ser o maior produtor de arroz orgânico no mundo e essas regiões estarem ameaçadas pela instalação de uma gigantesca mina de carvão, Pinheiro critica a contaminação desse importante alimento por arsênico, provindo da mineração de carvão. “Precisamos preservar o que é nosso”, exclama, ao analisar/avaliar ter percorrido, em sua fala, assuntos desde a energia da vida, passando pela liberação, pelo governo brasileiro, de agrotóxicos extremamente tóxicos, até chegar à ameaça que ronda a produção orgânica de arroz em assentamentos da reforma agrária na região Metropolitana de Porto Alegre com o carvão.

“Tudo está interligado. Precisamos nos unir com informação. Catalisar forças para o bem-comum”, defenderam os palestrantes.

Por Adriane Bertoglio Rodrigues

16 setembro 2019

Apedema divulga nota pública sobre o caso Comam e convoca eleição de conselheiros

A Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul (Apedema-RS) divulgou, na noite deste domingo (15), uma nota pública sobre o caso envolvendo o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Porto Alegre (Comam), o qual sofreu interferência de ex-secretário da pasta do Meio Ambiente no processo de escolha de entidades que compõem o Conselho.

A nota relata que algumas entidades que integram a Assembleia "ajuizaram a ação civil pública nº 9039978-70.2017.8.21.0001, perante a 10ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, contra a intervenção na eleição das entidades praticada pelo ex-secretário da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade, Maurício Fernandes da Silva, na qual, segundo o Poder Judiciário, 'seguros são os indícios de ofensa à moralidade administrativa' na atuação do ex-secretário".

Confira aqui a íntegra da nota no site da Apedema. (Versão PDF)

Apedema convoca eleição para entidades ecológicas comporem o Comam
Eleição será realizada no dia 25 de setembro de 2019, na sede da OAB/RS.

A entidades ecológica interessadas em compor o Conselho Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre poderão se inscrever até o dia 20 de setembro de 2019, através do e-mail eleiçãoapedemars@gmail.com. Confira mais detalhes no edital.


09 setembro 2019

Mortandade de abelhas é tema do Agapan Debate do dia 16 na Ufrgs

Clique na imagem para ampliar o cartaz.
O vertiginoso aumento da mortandade de abelhas nos últimos anos tem preocupado a sociedade e intrigado pesquisadores, cientistas e agricultores. A enigmática previsão atribuída ao renomado cientista Albert Einsten de que a humanidade teria apenas quatro anos de existência na Terra caso as abelhas viessem a desaparecer começa a ter sentido para alguns. Mas o que sabemos sobre isso e, principalmente, por que as abelhas estão morrendo?

É a partir dessa questão que será realizado o Agapan Debate do próximo dia 16, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, em Porto Alegre. O objetivo é discutir a respeito do tema e apontar caminhos para que o problema possa ser encarado com a seriedade e a urgência que a questão exige. Para isso, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) convidou os engenheiros agrônomos Sebastião Pinheiro e Nadilson Roberto Ferreira, que debaterão com o público presente sob mediação da conselheira da entidade e farmacêutica Ana Maria Dait Valls Atz. O Agapan Debate tem entrada gratuita e inicia às 19h.

Com o tema “Cuidem-se: nitrosoanima não é nitrosamina. O fogo volta a arder”, o engenheiro agrônomo, professor, escritor e pesquisador Sebastião Pinheiro, chama a atenção para ameaças que rondam a sociedade, a partir da liberação de diversos agrotóxicos. Sebastião Pinheiro é ativista científico em agricultura saudável, cromatografia de Pfeiffer e agroecologia camponesa. É técnico agrícola pela Unesp, Jaboticabal/SP, 1967; engenheiro agrônomo pela Universidad Nacional de La Plata (UNLP), 1973. pós-graduado em Engenharia Florestal, na Escola Superior de Bosques, UNLP, Argentina, 1975. Foi delegado brasileiro no Codex Alimentarius das Nações Unidas em Haia, na Holanda. Pós-graduado em Toxicologia, Poluição Alimentar e Meio Ambiente na Bundesanstalt für Getreide-, Kartoffel- und Fettforschung (BAGKF), Alemanha, 1983. Investigou em Tucuruí o uso clandestino de herbicidas (Agente Blanco e Agente Laranja), em 1985.

Sebastião Pinheiro é autor e coautor de diversas publicações: “Agente Laranja em uma República de Banana”, “Biotecnologia: muito além da revolução verde” (por Henk Hobbleink, tradução e contribuição), “Agricultura Orgânica e Máfia dos Agrotóxicos no Brasil” (em parceria com Dioclecius Luz e Nasser Youssef Nasr); “Ladrões de natureza”; “Saúde no solo versus Agronegócios”. Traduziu de “Panes de Piedra” de Julius Hensel e “Húmus” de Selman Waksman. Em 1990, inicia os trabalhos na Universidade Federal do RS (Ufrgs) na Pró-Reitoria de Extensão Universitária e posteriormente no Núcleo de Economia Alternativa da Faculdade de Ciências Econômicas, como enlace com os movimentos sociais (MPA, MST, MMC e outros) até sua aposentadoria.


POLINIZAÇÃO

Já com o título “Abelhas e polinização: do ser ao não ser”, o também engenheiro agrônomo Nadilson Roberto Ferreira, ex-coordenador da Câmara Setorial das Abelhas Produtos e Serviços do Rio Grande do Sul, da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), onde é servidor.

Natural de Pernambuco, com graduação em Engenharia Agronômica pela UFRPE, fez Mestrado (Ecologia de Campo) e Doutorado (Polinização) pela Ufrgs, com coorientação da PUCRS. Com 18 anos de convivência no Sítio Harmonia/PE, praticando permacultura, agrofloresta (agricultura sintrópica), apicultura e meliponicultura, Nadilson presidiu a ONG AMAGravatá/PE por duas gestões (quatro anos).

Foi consultor de Produção Mais Limpa; diretor de paisagismo e ecologia (duas gestões Gravatá-PE); membro dos Amigos da Terra e EconciênciaRS; consultor em Ecodesign/Gaia Education: dimensão social, econômica, ecológica e visão de mundo, além de oficineiro e ministrante de cursos em meliponicultura nas secretarias de Educação e de Meio Ambiente da Prefeitura de Porto Alegre. Também ministrante de cursos e palestras na Ufrgs/ UCS/Embrapa/Emater/RS-Ascar/Anama/Econciência/Amigos da Terra. Escreveu o livro “Manual de boas práticas para a criação e manejo racional de abelhas sem ferrão no RS” (EDIPUCRS – Ed. Esgotada).

O Agapan Debate é promovido pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural. A Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, que sediará a atividade, fica na rua Sarmento Leite, 320, em Porto Alegre.

Assessoria de Imprensa da Agapan
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues
51-99813-1785
Instagram: @agapan1971

22 agosto 2019

Em audiência pública, gaúchos gritam não à megamineração

Estimulados pela grande mobilização da sociedade civil que está se articulando para evitar mais um retrocesso socioambiental no estado, o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal promoveram a audiência pública desta terça-feira (20) em Porto Alegre. Diversos integrantes das mais de 100 entidades que compõem o Comitê de Combate à Megamineração no RS, movimento criado em junho deste ano, usaram o tempo individual de três minutos de fala para apontar parte dos inúmeros problemas e incongruências do projeto que busca autorização do Estado para se instalar. Especialistas convidados apontaram falhas do Estudo de Impacto Ambiental e riscos para a saúde, desabastecimento de água para milhões de pessoas, poluição do ar, impactos na flora, fauna e extermínio da produção de arroz orgânico que gera empregos e abastece a capital com alimento livre de agrotóxicos.

Confira mais informações no site RS em Risco, do Comitê de Combate à Megamineração no RS.

24 julho 2019

Debate sobre Megamineração atrai público interessado em tema que está preocupando os gaúchos

Nem o tempo chuvoso afastou quem está buscando informações relevantes sobre o assunto

O segundo Agapan Debate deste ano, realizado no dia 23 de julho no auditório da Faculdade de Engenharia Mecânica da Ufrgs, teve como tema central "Megamineração - Impactos na Saúde, na Economia e no Meio Ambiente".

Para debater a questão, que está gerando grande mobilização no Estado em função de projetos que estão solicitando licenças para serem instalados no território gaúcho, a Agapan convidou o médico Carlos Nunes Tietboehl Filho, associado da entidade, e o auditor fiscal da Receita Estadual do RS João Carlos Loebens. Confira mais detalhes sobre os palestrantes aqui.

Lâmina apresentada pelo palestrante
Tietboehl falou sobre "As doenças respiratórias causadas pela extração e queima do carvão mineral". O pneumologista destacou algumas consequências que podem ser geradas pela atividade de mineração como alterações climáticas, danos materiais e à propriedade, degradação da qualidade do ar e efeitos sobre a saúde humana, doenças agudas, crônicas e neoplasias. Durante a extração do carvão, são liberados material particulado (PM10 e PM2.5), contendo cristais de sílica, Dióxido de Carbono (CO2) - blackdamp, Metano (CH4) - firedamp, e Dissulfeto de hidrogênio (H2S). O especialista em Medicina do Trabalho e em Toxicologia Aplicada ainda alertou para as doenças associadas ao processo de extração de carvão mineral, como as pneumoconioses (silicose), doenças crônicas como a bronquite e a enfisema, doenças cardiovasculares isquêmicas, e neoplasias como o câncer de pulmão.
    
Diretor de Cidadania e Educação Fiscal do Instituto de Justiça Fiscal (IJF), Loebens iniciou sua apresentação falando sobre a função social dos tributos e instigando a plateia do auditório lotado da Faculdade de Engenharia Mecânica com questões como "Mineradoras trazem benefícios ao Estado?", "Mineradoras trazem custos ao Estado?", "Mineradoras trazem benefícios à sociedade?" e "Mineradoras pagam Impostos?". 
Sob o título já bastante revelador "A mineração que empobrece o Brasil", o auditor fiscal seguiu uma linha de explanação que abordou temas como a também polêmica política de renúncias fiscais, Lei Kandir, créditos de ICMS para exportações, isenções de impostos sobre rendas advindas de lucros e dividendos entre outros pontos. 
Clique na imagem para ampliar
Em relação às isenções tributárias para o setor de mineração no Brasil, o especialista apresentou dados de 2013 do Ministério de Minas e Energia (tabela abaixo) que indicam que o setor recebe imunidade tributária em relação ao PIS/PASEP e Cofins para os casos de exportações do minério brasileiro, assim como a não incidência de ICMS, o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços que gera receita para o estado e os municípios explorados pelas mineradoras. 

Confira a íntegra das palestras no vídeo com a gravação do evento que estará disponível, em breve, aqui.
Apresentações (lâminas) dos palestrantes.


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Esta edição do Agapan Debate teve o apoio institucional do Comitê de Combate à Megamineração no RS, iniciativa de defesa dos interesses do povo gaúcho que já conta com mais de 80 entidades e centenas de apoiadores em todo o estado. Conheça e curta a página do Comitê no Facebook e apoie essa campanha em defesa dos interesses e da qualidade de vida dos gaúchos.
A luta ambiental continua, e não estamos sozinhos. Junte-se a nós!

19 julho 2019

Nova Diretoria comandará a Agapan até 2021

Além de dar continuidade às atividades de proteção ambiental, durante o mandato os dirigentes vão organizar a comemoração dos 50 anos da Associação fundada em 1971

Reconduzidos à Presidência e Vice-Presidência da entidade, respectivamente, o biólogo e arquiteto Francisco Milanez e o jornalista Heverton Lacerda continuarão na Diretoria da Agapan durante o biênio 2019/2021. Para os cargos de Secretário Geral e Primeiro Tesoureiro foram eleitos, nesta ordem, o veterinário Péricles Boechat Massariol e a professora Maria de Lourdes Gomes Pedroso. A bióloga Simone Portela de Azambuja também permanece no cargo de Segunda Tesoureira.
A assembleia eleitoral foi realizada no dia 18 de julho na sede do Sindicato dos Engenheiros do RS, em Porto Alegre. Na ocasião, também foram eleitos os membros do Conselho Superior e do Conselho Fiscal da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan). Confira os nomes abaixo.

Conselho Superior:
Adriane Bertoglio Rodrigues
Alberto Pretto Moesch
Alfredo Gui Ferreira
Alfredo Aveline
Ana Maria Daitx Valls Atz
Darci Barnech Campani
Edi Xavier Fonseca
Eleara Maria Manfredi  
Gerson Almeida
José Celso Aquino Marques
José Renato de Oliveira Barcelos
Leonardo Melgarejo
Lívia Picinini
Paulo Renato Menezes
Roberto Rebés Abreu
Sandra Jussara Mendes Ribeiro
Sebastião Pinheiro
Silvio Guido Fioravanti Jardim
Ymara Menna Barreto
Zoravia Bettiol 

Conselho Fiscal:
Ana Lúcia Vellinho de Dangelo
Fabrizia Bueno
Miriam Ângela Löw

18 julho 2019

Agapan Debate impactos da Megamineração


Megamineração - Impactos na Saúde, na Economia e no Meio Ambiente é o tema do Agapan Debate da próxima terça-feira (23/07), às 19h, no Auditório da Cúpula Central da Engenharia Mecânica da Ufrgs. Haverá palestra do pneumologista Carlos Nunes Tietboehl Filho, sobre “As doenças respiratórias causadas pela extração e queima do carvão mineral”, e do auditor fiscal da Receita Estadual do RS, João Carlos Loebens, sobre “A mineração que empobrece o Brasil". A mediação do debate é do jornalista e vice-presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Heverton Lacerda. 

Carlos Nunes Tietboehl Filho é mestre e doutor em Pneumologia e especialista em Medicina do Trabalho (Ufrgs) e em Toxicologia Aplicada (PUC/RS). Trabalhou como pneumologista no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (Ufrgs), no Hospital Sanatório Partenon (SES-RS) e no Serviço Social da Indústria (Sesi-RS). Atualmente coordena a Comissão de Doenças Ocupacionais e Ambientais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). 

João Carlos Loebens é auditor Fiscal da Receita Estadual do RS, formado em Administração de Empresas pela Unisc, mestre em Administração e Gerência Pública pela Universidade de Alcalá/Espanha, doutorando em Economia e atualmente diretor de Cidadania e Educação Fiscal do Instituto de Justiça de Fiscal. 

A Cúpula Central da Engenharia Mecânica da Ufrgs fica na rua Sarmento Leite, 425, e o auditório tem entrada pelos fundos. 

Assessoria de Imprensa da Agapan 
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues 
51-99813-1785 

Instagram: @agapan1971

05 julho 2019

Na luta | Queremos audiência pública em Porto Alegre para debater a Mina Guaíba

Reprodução Correio do Povo [05/07/2019]
Ontem (4), no âmbito do Comitê de Combate à Megamineração no Rio Grande do Sul (CCM_RS), realizamos uma manifestação em frente à sede da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental), em Porto Alegre (RS), para somar às diversas manifestações que chegaram ao órgão ambiental estadual exigindo a realização de uma audiência pública na capital gaúcha para debater o projeto Mina Guaíba, da empresa Copelmi Mineração Ltda.

Desde que lançamos o CCM_RS em conjunto com outras 50 entidades no dia 18 de junho, o movimento tem crescido e recebido adesões de dezenas de entidades e apoio de muitas pessoas interessadas em defender um melhor projeto para o estado, iniciando por evitar que um modelo ultrapassado, perigoso e extremamente poluidor de geração de energia se instale por aqui. Atualmente, somos mais de 80 entidades - ambientalistas, sindicais e movimentos sociais - e contamos com milhares de apoiadores de dentro e de fora do estado. É através desses apoios que conseguimos enviar milhares de e-mails à direção da Fepam para marcar o interesse dos moradores de Porto Alegre em debater o projeto Mina Guaíba (processo administrativo 6354-05.67/18-1).

Também no dia 4, protocolamos na Fepam o ofício do CCM/RS (001/2019) que registra mais uma solicitação de audiência pública, somando-se às diversas solicitações, no mesmo sentido, expostas na audiência pública realizada no dia 27 de junho, na cidade de Eldorado do Sul, e nos ofícios encaminhados pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais e União Pela Vida, com data de 19 de março de 2019, assim como o ofício 00833.00011/2019, do Ministério Público do RS, em conjunto com o Ministério Público Federal, de dia 4 de abril de 2019, e o processo administrativo 6354-05.67/18-1, encaminhado em 22 de março de 2019,  assinado por vereadores da Câmara Municipal de Porto Alegre e diversos cidadãos signatários.

Assine o abaixo assinado e junte-se a nós.

Jornal do Comércio - Protesto defende audiência pública sobre mina de carvão


Reprodução Jornal do Comércio [05/07/2019]