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Revitalizar Porto Alegre

*Por Heverton Lacerda


Os dicionários apontam vários significados para o verbo “revitalizar”. O Aurélio diz que é “dar nova vida”, “vitalizar”. O Priberam afirma que vitalizar é “tornar vital”. No Houaiss, é “restituir a vida”. Enfim, tudo vai no mesmo sentido, colocando a vida no centro principal das significações. Pode parecer óbvio para alguns, mas também pode haver quem tenha dúvidas sobre esses conceitos. Talvez seja necessário identificar o conceito de “vida”. E aqui a coisa fica complexa. No dicionário Aurélio, o verbete ganha grande espaço. Deixando de lado os diversos sentidos figurados, a concepção biológica apresentada para o termo é “o conjunto de propriedades e qualidades graças às quais animais e plantas, ao contrário dos organismos mortos ou da matéria bruta, se mantêm em contínua atividade…”. A conceituação é clara em opor vida a “organismos mortos”.


Mesmo na mitologia, que apresenta casos como o do pássaro Fênix, que renasce das cinzas, retornando à vida, a ideia central de revitalizar é patente em sua concepção biológica. A propósito, o sufixo “bio”, do grego “bios”, também significa vida. No sentido oposto, é utilizado, por exemplo, em palavras como “biocida”, que remete à ideia de exterminação.


Contam nossos ancestrais que, há poucos séculos, antes de nossa capital ganhar o nome de Porto Alegre, as margens do rio Guaíba eram terreno fértil e, consequentemente, arborizado: o ar e a água eram puros, os peixes sem contaminação, e as árvores cumpriam seus inúmeros papéis ecológicos (termo desconhecido à época), tanto de regular o clima com suas copas espaçosas e verdejantes, quanto de estruturar as barrancas com suas raízes conectadas ao solo e prover frutos para quem com elas compartilhava o bem-viver. Em todos esses sentidos, revitalizar nunca foi sinônimo de matar árvores, asfaltar parques, cimentar margem de rio, muito menos construir roda gigante nos raros remanescentes naturais. Para revitalizar, é preciso recompor todo o espaço de vida que foi e está sendo suprimido.


*Artigo do presidente da Agapan, Heverton Lacerda, publicado originalmente no jornal Zero Hora em 12 de setembro de 2023.


Comentário da associada Sofia Cavedon citando o artigo do presidente da Agapan.




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