10 setembro 2018

Agricultura orgânica prioriza a Certificação

Agapan Debate fortalece importância da certificação para produção de alimentos limpos.

A Certificação Orgânica foi o tema central do Agapan Debate realizado na última segunda-feira (03/09) à noite, no terceiro andar da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, em Porto Alegre. Participaram em torno de 100 pessoas, entre estudantes, agricultores e consumidores, que conheceram a história de duas famílias de agricultores ecologistas gaúchos. Foram debatedores Silvana Bohrer, presidente da Associação dos Produtores da Rede Agroecológica Metropolitana (Rama) e Vilson Stefanoski, presidente da Associação de Agricultores Solidários do RS, que reúne agricultores de 23 municípios gaúchos e que participam da Feira de Agricultores Ecológicos (FAE), que acontece todos os sábados de manhã na Redenção, da Feira do Menino Deus nas quartas-feiras e sábados e da Feira do IPA nas quintas-feiras. O debate foi mediado por Renato Barcelos, conselheiro da Agapan e advogado ambientalista.

O Agapan Debate iniciou com o presidente Francisco Milanez avaliando a crescente busca por alimentos orgânicos por parte da sociedade, que tem priorizado a segurança alimentar e nutricional. “Ao mesmo tempo que aumenta o número de feiras ecológicas, acompanhamos atentos o patenteamento da vida por parte das transnacionais, que exploram as sementes e as plantas descobertas pelos agricultores”, lamenta o biólogo, ao elogiar que a inclusão da certificação participativa na Lei dos Orgânicos é projeto apresentado pelo Rio Grande do Sul.

Para a agricultora agroecológica Silvana Boehrer, engenheira agrônoma e proprietária, há 18 anos, do Sítio Capororoca, no bairro Lami, em Porto Alegre, agroecologia é biodiversidade e reúne cultura e viver bem. O interesse e o envolvimento cada vez maior do consumidor também são destacados por Silvana, ao apresentar a estrutura da Rama, uma organização de certificação participativa, que reúne agricultores, técnicos e consumidores, além de representantes da sociedade civil, como universidades e Emater/RS-Ascar. “É um sistema de certificação solidário, em que um agricultor valida o trabalho e a produção do outro”, explica, ao justificar o selo de certificação orgânica participativa que o agricultor recebe, que é idêntico ao selo entregue via auditoria.

No caso da Rama, que congrega agricultores de Porto Alegre e Viamão, uma nova adesão só é aceita e o agricultor integrado à Rede depois de um ano de capacitação, tendo então sua propriedade avaliada e iniciando o processo de certificação. “Em todas as propriedades agroecológicas que integram a Rama, priorizamos a biodiversidade produtiva”, diz Silvana.


EQUILÍBRIO BIOMINERALIZADO

Vilson Luiz Stefanoski é agricultor ecológico desde 1991,quando adquiriu oito hectares para horta, feijões , batata e aipim. Desde 1994 participa da FAE, aos sábados de manhã na Redenção e trabalha com biomineralização desde 2003. Atualmente integra o Comitê de Ética do Pré Núcleo Sudeste Gaúcho, da Rede Ecovida, que congrega agricultores ecologistas de Viamão, Tapes, Mariana Pimental, Guaíba, Sentinela do Sul e de Cerro Grande do Sul. Ele defende o equilíbrio da planta, só possível a partir do equilíbrio do solo, buscado pela família Stefanoski.

“Não existe inseto praga, mas inseto com fome”, afirma Stefanoski, ao ressaltar que uma planta equilibrada não adoece. “Só adoece a planta desequilibrada, então, nos perguntávamos como chegar ao equilíbrio?”, recorda, ao considerar complicado o período entre 1992 e 1998, “porque perdemos muita produção com os experimentos em busca desse equilíbrio do solo, planta e natureza”.

A mata nativa, que ocupa 4 hectares na propriedade dos Stefanoski em Cerro Grande do Sul, foi uma espécie de laboratório. Com mais de cem anos, a mata serviu de experimentos com minerais, em parceria e com a colaboração de Nelson Diehl, Glaci Campos e Jaime Carvalho. “No início,em 1998, importávamos pós de rocha de Alagoas e usávamos na ração dos animais, diminuindo o ataque de pragas e doenças”, conta o agricultor, que foi assessorado também por Sebastião Pinheiro, que lhe orientou a fazer uso do granito e do basalto presentes na propriedade, reduzindo custos e agregando ao tratamento das produções fungos e bactérias do leite azedo.

Em 1998, a família Stefansoki teve o apoio ampliado com o assessoramento do engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Marcelo Biassusi, que começou, com Vilson, os testes de biomineralização.”Em dez anos, diminuímos de 48% para 19% os custos de produção da terra, o que nos permitiu também, se não a totqalidade, um grande nível de equilíbrio do solo”, lembra Vilson.

Hoje, entre micro e macrominerais, a propriedade da família Stefanoslki garante sua diversificada produção de alimentos com 140 espécies. “Desde 2005 não aplicamos mais caldas nem biofifertilizantes, e não temos mais doença”, comemora o agricultor, que afirma “não é difícil ser independente dos pacotes de sementes e agroquímicos”.

“A Agroecologia ensina o agricultor a pensar, entender os fundamentos básicos da vida e a construir a verdadeira sustentabilidade da sua produção”, finaliza Vilson, ao citar o tripé do equilíbrio: agricultura familiar, agricultura orgânica e venda direta ao consumidor.

Texto: Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues/Agapan

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